PCP e Produção

Apontamento de Produção: Como Registrar Quantidades, Perdas e Tempos

Organize os registros da fábrica e acompanhe a produção com mais precisão.

 

Introdução

Controlar uma operação industrial exige muito mais do que definir quanto precisa ser produzido. Depois que o planejamento é elaborado e as ordens chegam ao chão de fábrica, é necessário acompanhar o que realmente aconteceu durante cada etapa do processo. É justamente nesse ponto que o apontamento de produção se torna uma ferramenta importante para a gestão industrial.

O apontamento de produção consiste no registro das informações relacionadas à execução das atividades produtivas. Por meio dele, a empresa consegue saber quanto foi produzido, quanto foi aprovado, quais perdas ocorreram, quanto tempo cada atividade levou e quais situações interferiram no andamento da operação.

Sem esses registros, a gestão pode trabalhar apenas com estimativas. Uma ordem pode ter sido programada para produzir 1.000 unidades em oito horas, por exemplo, mas somente o acompanhamento da execução permitirá saber se essa quantidade realmente foi alcançada, quanto tempo foi necessário e quais problemas surgiram durante o processo.

Registrar o que realmente acontece no chão de fábrica

O planejamento representa aquilo que a empresa espera produzir. Já os registros realizados durante a operação mostram o resultado efetivo.

Imagine uma indústria que programou a fabricação de 500 peças. Ao final do turno, foram produzidas 480 unidades, das quais 465 foram aprovadas e 15 apresentaram defeitos. Além disso, uma máquina ficou parada durante 40 minutos devido a uma regulagem.

Se essas informações não forem registradas, a empresa pode considerar que as 500 peças planejadas foram produzidas normalmente. Isso cria uma visão incorreta da operação e pode afetar estoque, programação, compras, custos e prazos de entrega.

Com o apontamento de produção, a empresa consegue registrar essas diferenças e utilizar dados reais para analisar seu desempenho.

Quais informações podem ser registradas?

A quantidade produzida é um dos dados mais importantes, mas não é o único. Um acompanhamento completo pode envolver diferentes informações sobre a execução da ordem.

Entre elas estão:

  • quantidade programada;

  • quantidade efetivamente produzida;

  • quantidade aprovada;

  • produtos refugados;

  • perdas de materiais;

  • itens que precisam de retrabalho;

  • horário de início da operação;

  • horário de término;

  • tempo efetivamente produtivo;

  • tempo de parada;

  • motivos das paradas;

  • materiais consumidos;

  • máquina utilizada;

  • operador responsável;

  • ocorrências durante o processo.

A quantidade e o nível de detalhamento dos registros podem variar de acordo com o tipo de indústria e com as necessidades da gestão.

Uma empresa que trabalha com processos simples pode acompanhar apenas quantidades, tempos e perdas. Já uma operação com várias máquinas e etapas pode precisar registrar dados específicos para cada atividade.

Produção planejada e produção realizada

Um dos principais objetivos do apontamento de produção é permitir a comparação entre aquilo que foi planejado e aquilo que realmente ocorreu.

A produção planejada representa a expectativa definida pelo PCP. Ela pode considerar fatores como pedidos de clientes, capacidade produtiva, disponibilidade de materiais, equipamentos, mão de obra e prazos.

A produção realizada representa aquilo que efetivamente saiu do processo produtivo.

Se uma ordem previa 800 unidades e somente 700 foram concluídas, existe uma diferença que precisa ser analisada.

Essa diferença pode ter ocorrido por diferentes motivos, como:

  • quebra de equipamento;

  • falta de matéria-prima;

  • produtividade abaixo do esperado;

  • tempo de setup elevado;

  • problema de qualidade;

  • ausência de operador;

  • necessidade de retrabalho;

  • erro na previsão do tempo necessário.

O registro permite que a empresa não apenas identifique o desvio, mas também investigue suas causas.

Como os dados ajudam o PCP?

O PCP depende de informações confiáveis para planejar novas ordens e organizar a capacidade produtiva.

Quando os tempos e quantidades utilizados no planejamento estão distantes da realidade, a programação pode se tornar pouco precisa. Isso pode provocar atrasos, sobrecarga de máquinas, formação de estoques desnecessários ou dificuldade para cumprir os pedidos.

Ao utilizar dados provenientes do apontamento de produção, o PCP pode entender melhor quanto tempo uma operação realmente exige, qual é a produtividade média dos recursos e quais processos apresentam maior frequência de interrupções.

O histórico também permite revisar parâmetros de planejamento ao longo do tempo.

Informações confiáveis melhoram a gestão industrial

Além do PCP, outras áreas podem utilizar os registros para avaliar os resultados da operação.

A gestão pode acompanhar indicadores de produtividade, perdas, eficiência, retrabalho e utilização dos recursos. Também pode investigar quais produtos, máquinas ou etapas apresentam maior quantidade de problemas.

Quanto mais consistente for o apontamento de produção, mais próxima da realidade será a visão da empresa sobre seu processo produtivo.

O objetivo não é simplesmente registrar dados, mas transformar aquilo que acontece no chão de fábrica em informações que possam apoiar decisões, corrigir desvios e melhorar continuamente o planejamento industrial.


O que é Apontamento de Produção e como funciona?

O apontamento de produção é o processo utilizado para registrar as informações geradas durante a execução das atividades industriais. Ele permite acompanhar uma ordem desde o início até sua finalização, documentando quantidades, tempos, perdas, paradas e outras ocorrências relevantes.

Na prática, funciona como um acompanhamento daquilo que realmente aconteceu na produção. Enquanto a ordem informa o que deve ser feito, o apontamento informa o que foi efetivamente realizado.

Definição de apontamento de produção

O apontamento de produção pode ser entendido como o registro estruturado das atividades executadas no chão de fábrica.

Esses registros podem ocorrer por operação, etapa, máquina, funcionário, turno ou ordem, dependendo da organização da empresa.

Uma indústria que fabrica determinado produto pode ter uma ordem com várias etapas, como corte, montagem, acabamento e embalagem. Nesse caso, cada etapa pode ter seu próprio registro de quantidade e tempo.

Dessa maneira, torna-se possível descobrir em qual ponto da produção ocorreram atrasos, perdas ou diferenças em relação ao planejamento.

Relação com as ordens de produção

A ordem de produção orienta a execução das atividades. Normalmente, ela contém informações como produto, quantidade prevista, materiais necessários, operações e prazos.

O apontamento de produção complementa essa ordem com dados da execução.

Por exemplo, uma ordem pode determinar:

  • produzir 600 unidades;

  • iniciar no dia programado;

  • utilizar determinada máquina;

  • consumir determinadas matérias-primas;

  • concluir a atividade em seis horas.

Depois da execução, os registros podem mostrar que:

  • foram produzidas 580 unidades;

  • 570 foram aprovadas;

  • 10 foram refugadas;

  • o processo demorou sete horas;

  • houve 35 minutos de parada.

Essa comparação torna a ordem uma fonte de informações não apenas para a execução, mas também para análises futuras.

Como o apontamento acontece na prática

O processo normalmente começa quando uma ordem ou operação é liberada para execução.

No início da atividade, podem ser registrados dados como data, horário, funcionário e máquina utilizada.

Durante a execução, são anotadas informações relacionadas ao andamento da produção. Dependendo do processo, isso pode ocorrer continuamente ou em determinados momentos.

Podem ser registradas:

  • quantidades produzidas;

  • perdas;

  • interrupções;

  • consumo de materiais;

  • início e término de atividades;

  • problemas identificados.

Ao final da operação, o responsável registra as informações finais e encerra a etapa ou a ordem.

Esse fluxo permite criar um histórico detalhado da fabricação.

Início da operação

Registrar corretamente o início é importante para calcular o tempo utilizado.

Quando possível, o registro deve diferenciar o início da preparação do início efetivo da produção. Isso ajuda a separar tempo de setup de tempo produtivo.

Também podem ser informados operador, equipamento, turno e ordem relacionada.

Registro da produção

Conforme as peças ou produtos são concluídos, a quantidade pode ser informada no controle adotado pela indústria.

A frequência dependerá da operação.

Algumas empresas registram ao final de cada turno. Outras fazem registros por lote, etapa ou quantidade produzida. Processos que exigem maior acompanhamento podem realizar atualizações mais frequentes.

Registro das ocorrências

Nem sempre uma operação acontece sem interrupções.

Problemas de máquina, falta de material, ajustes, espera por liberação ou falhas de qualidade podem interferir na execução.

Registrar essas ocorrências ajuda a explicar por que determinada ordem utilizou mais tempo do que o planejado ou produziu uma quantidade menor.

Finalização da etapa ou ordem

Ao terminar a atividade, devem ser informadas as quantidades finais, perdas e horário de conclusão.

A etapa pode então ser considerada encerrada e, quando necessário, o produto segue para a próxima operação.

Quem pode realizar os apontamentos?

A responsabilidade varia conforme a estrutura da empresa.

Operadores podem registrar diretamente os dados relacionados às suas atividades. Líderes de produção podem conferir ou consolidar essas informações.

Supervisores também podem acompanhar ocorrências e validar resultados.

O PCP pode utilizar os registros para acompanhar o andamento das ordens e atualizar a programação.

Independentemente de quem realiza o procedimento, é importante estabelecer responsabilidades claras para evitar ausência de informações ou registros duplicados.

Apontamento manual x digital

O apontamento de produção pode ser realizado de diferentes maneiras.

No papel, as informações são preenchidas manualmente em fichas ou documentos. É um método simples, mas exige organização para que os registros posteriormente sejam consolidados e analisados.

Planilhas permitem organizar os dados digitalmente e realizar alguns cálculos, mas podem exigir bastante preenchimento manual conforme a produção cresce.

Já sistemas de produção permitem relacionar os registros diretamente às ordens, facilitando consultas, históricos e análises.

A melhor forma depende da complexidade da operação, mas o mais importante é garantir que os dados sejam registrados de maneira padronizada, frequente e confiável.


Quais informações devem ser registradas no Apontamento de Produção?

Um bom apontamento de produção precisa fornecer informações suficientes para mostrar como determinada ordem ou operação foi executada.

Registrar somente a quantidade final pode não ser suficiente para entender o desempenho da produção. Se houve perda, atraso ou consumo acima do esperado, a empresa precisa identificar o que aconteceu.

Identificação da ordem de produção

O primeiro passo é relacionar os dados à ordem correta.

Normalmente, podem ser informados:

  • número da ordem;

  • código do produto;

  • descrição do produto;

  • lote;

  • etapa;

  • operação;

  • data de produção.

O número da ordem facilita a localização posterior das informações e permite reunir todos os registros relacionados àquele processo.

Quando existe controle por lote, também é importante associar a produção à identificação correta para manter um histórico organizado.

Quantidade produzida

O registro de quantidade permite acompanhar se a produção está atingindo aquilo que foi programado.

É interessante diferenciar três informações.

A quantidade planejada indica quanto deveria ser produzido.

A quantidade realizada mostra quanto efetivamente passou pela operação ou foi concluído.

A quantidade aprovada representa os itens que atenderam aos requisitos definidos e podem seguir normalmente no processo.

Por exemplo, uma ordem pode ter planejado 1.000 unidades. Ao final, 980 podem ter sido processadas, mas apenas 965 aprovadas.

Essa separação facilita a análise do resultado.

Perdas e refugos

Sempre que ocorrer uma perda, ela deve ser registrada de forma separada da quantidade aprovada.

Informar apenas o total produzido pode esconder problemas de qualidade ou desperdícios.

Se foram processadas 500 unidades, das quais 20 foram refugadas, o resultado não deve ser tratado da mesma maneira que uma produção de 500 unidades integralmente aprovadas.

Além da quantidade perdida, é recomendado registrar o motivo.

Isso permite identificar se as perdas estão relacionadas a matéria-prima, regulagem, máquina, processo, operador ou outro fator.

Tempos de produção

Outro ponto fundamental do apontamento de produção é o controle do tempo utilizado.

Podem ser registrados:

  • horário de início;

  • horário de término;

  • duração da preparação;

  • tempo efetivamente produtivo;

  • tempo de parada.

Separar essas informações ajuda a entender onde o tempo disponível está sendo utilizado.

Uma atividade pode permanecer aberta por oito horas, por exemplo, mas ter somente seis horas efetivamente produtivas devido a interrupções.

Tempo de parada

As paradas precisam ser registradas sempre que interferirem de forma relevante na operação.

Além da duração, é importante identificar o motivo.

Alguns exemplos são:

  • quebra;

  • manutenção;

  • falta de material;

  • falta de operador;

  • espera por liberação;

  • problema de qualidade;

  • troca de produto;

  • limpeza;

  • ajuste.

Com um histórico dessas situações, a indústria consegue descobrir quais motivos mais afetam sua capacidade.

Máquina utilizada

Relacionar o apontamento ao equipamento utilizado pode ajudar na análise de produtividade e disponibilidade.

Se a mesma operação pode ocorrer em várias máquinas, os dados podem mostrar diferenças de desempenho entre os recursos.

Também fica mais fácil verificar quais equipamentos apresentam maior volume de paradas ou necessidade de manutenção.

Operador responsável

Identificar quem executou a operação contribui para a rastreabilidade das atividades.

Essa informação não deve ser utilizada isoladamente para avaliar desempenho, pois produtividade e qualidade dependem de diversos fatores. No entanto, ela ajuda a reconstruir o histórico da ordem quando existe necessidade de investigar alguma ocorrência.

Materiais consumidos

Dependendo do processo, também é possível registrar quais materiais foram efetivamente utilizados.

A comparação entre consumo previsto e consumo real pode revelar desperdícios, diferenças de rendimento ou problemas nos parâmetros de produção.

Quando existem perdas de matéria-prima, o motivo também deve ser registrado.

Retrabalho

Itens que precisam ser corrigidos ou passar novamente por determinada operação devem ser identificados separadamente.

O retrabalho consome tempo, recursos e capacidade produtiva. Se ele não for registrado, esses custos podem ficar escondidos dentro da produção normal.

Ao acompanhar sua frequência, a gestão pode identificar processos que precisam de melhoria.

Ocorrências durante o processo

Nem todo problema pode ser representado apenas por uma quantidade ou tempo.

Por isso, o apontamento de produção também pode permitir o registro de ocorrências relevantes.

Podem ser incluídas informações sobre:

  • dificuldade durante o processo;

  • mudança de material;

  • necessidade de regulagem;

  • problema de qualidade;

  • interrupção inesperada;

  • alteração na sequência produtiva.

O objetivo é criar registros que expliquem o resultado apresentado pela ordem e forneçam uma visão mais completa da operação.


Como registrar corretamente as quantidades produzidas?

O registro das quantidades é uma das partes mais importantes do apontamento de produção, pois mostra se a indústria conseguiu entregar aquilo que estava previsto na programação.

Para que a informação seja útil, é necessário diferenciar quantidade planejada, realizada, aprovada, perdida e ainda em processo.

Quantidade planejada x quantidade realizada

A quantidade planejada é definida antes do início da produção.

Ela pode considerar pedidos de clientes, necessidade de reposição de estoque, previsão de demanda ou outras necessidades da empresa.

Já a quantidade realizada representa o que efetivamente foi produzido.

Imagine uma ordem planejada para 2.000 unidades. Ao término do período, foram realizadas 1.850.

Existe uma diferença de 150 unidades que precisa ser compreendida.

Ela pode ter sido causada por baixa produtividade, paradas, ausência de materiais, problemas de máquina ou simplesmente pela necessidade de continuar a produção no próximo turno.

Registrar os dois números permite visualizar essa diferença.

Quantidade boa ou aprovada

Nem tudo o que é produzido necessariamente está apto para seguir adiante.

Por isso, é importante separar a quantidade total processada da quantidade considerada aprovada.

Se 600 peças foram processadas, mas 12 apresentaram defeitos, a quantidade aprovada será de 588 unidades.

Essa distinção evita que produtos refugados sejam considerados como resultado positivo da produção.

Quantidade parcial

Nem sempre uma ordem é concluída de uma só vez.

Produções extensas podem ser executadas durante vários turnos, dias ou etapas.

Nesses casos, o apontamento de produção pode ser realizado parcialmente.

Uma ordem de 5.000 unidades, por exemplo, pode registrar:

  • 1.500 unidades no primeiro turno;

  • 1.700 no segundo;

  • 1.800 no terceiro.

Ao final, os registros parciais compõem o total produzido.

Esse acompanhamento também permite ao PCP saber o andamento da ordem antes de sua conclusão.

Produção acima do planejado

Produzir acima da quantidade prevista nem sempre significa maior eficiência.

É necessário analisar por que isso ocorreu.

Uma quantidade adicional pode ter sido necessária para compensar perdas, atender uma necessidade emergencial ou aproveitar determinadas condições de produção.

Por outro lado, produzir sem necessidade pode gerar estoque excessivo.

Por isso, qualquer diferença relevante deve ser identificada e analisada.

Produção abaixo do planejado

Quando a quantidade fica abaixo do esperado, a gestão deve investigar os motivos.

Algumas causas possíveis são:

  • equipamento parado;

  • falta de matéria-prima;

  • ritmo menor que o previsto;

  • excesso de setup;

  • perda elevada;

  • dificuldade de operação;

  • indisponibilidade de funcionários.

Se os mesmos desvios aparecem repetidamente, os parâmetros utilizados no planejamento também podem precisar de revisão.

Evitar registros estimados

Um dos principais cuidados é não informar valores apenas por estimativa.

Registrar que foram produzidas aproximadamente 500 unidades quando a quantidade real foi 460 ou 540 prejudica todo o histórico.

Os dados precisam representar a realidade da operação.

Quanto mais precisa for a informação, mais confiáveis serão as análises realizadas posteriormente.

Evitar apontamentos duplicados

Quando várias pessoas participam do registro, é importante definir quem será responsável por cada informação.

Se um operador registra determinada quantidade e o supervisor informa novamente o mesmo valor como se fosse uma nova produção, o total ficará incorreto.

A padronização do processo reduz esse tipo de erro.

Conferir a unidade de medida

Outro problema comum é registrar quantidades em unidades diferentes.

Uma matéria-prima pode ser controlada em quilos, enquanto a produção é contabilizada em peças. Outros processos podem utilizar metros, litros, caixas ou pacotes.

A unidade utilizada no registro precisa estar clara para evitar interpretações incorretas.

Registrar no momento correto

Quanto maior a distância entre a execução e o registro, maior o risco de esquecimento ou erro.

Sempre que possível, o apontamento de produção deve ocorrer próximo ao momento em que a atividade acontece.

Isso facilita o registro correto das quantidades, perdas e ocorrências, além de permitir que o PCP acompanhe o andamento da operação com informações mais atuais.


Como registrar perdas, refugos e retrabalho na produção?

Perdas, refugos e retrabalhos fazem parte dos fatores que podem reduzir a eficiência de uma operação industrial. Por isso, precisam ser identificados corretamente no apontamento de produção.

Quando essas ocorrências não são registradas separadamente, a empresa pode ter dificuldade para entender por que está consumindo mais material, utilizando mais horas ou produzindo menos itens aprovados do que o previsto.

O que são perdas de produção

As perdas representam materiais, componentes, tempo ou produtos que não geraram o resultado esperado.

Elas podem surgir em diferentes etapas.

Durante um processo de corte, por exemplo, parte da matéria-prima pode ser desperdiçada. Em uma montagem, um componente pode ser danificado. Em outra operação, uma regulagem incorreta pode gerar várias peças fora da especificação.

O registro deve indicar a quantidade e, sempre que possível, a causa.

Materiais desperdiçados

O desperdício pode ocorrer devido a sobras acima do esperado, erro no processo, manuseio inadequado ou falhas de equipamento.

Se esse consumo adicional não for registrado, a quantidade disponível no estoque pode ficar diferente da realidade e o custo do produto pode ser calculado com informações incompletas.

Produtos danificados

Peças ou produtos danificados durante a fabricação também precisam ser identificados.

Esses itens podem ser descartados ou, em alguns casos, encaminhados para correção.

Diferenciar essas situações ajuda a medir corretamente perdas e retrabalhos.

O que é refugo

Refugo é o item que não atende aos requisitos estabelecidos e não pode seguir normalmente como produto aprovado.

Dependendo do processo, ele pode ser descartado, reciclado ou reaproveitado parcialmente.

No apontamento de produção, o refugo deve ser separado da quantidade boa.

Isso permite calcular quanto da produção realmente atingiu o padrão esperado.

O que é retrabalho

O retrabalho ocorre quando um produto precisa passar novamente por uma etapa ou receber uma atividade adicional para corrigir um problema.

Diferentemente do refugo definitivo, o item ainda pode ser recuperado.

Mesmo assim, existe impacto na operação.

O retrabalho pode exigir:

  • mais mão de obra;

  • ocupação adicional da máquina;

  • novo consumo de materiais;

  • aumento do prazo;

  • utilização de capacidade que poderia atender outras ordens.

Por isso, sua quantidade e seu motivo devem ser registrados.

Como classificar os motivos das perdas

Somente saber que houve uma perda não é suficiente para melhorar o processo.

Também é importante conhecer sua origem.

A empresa pode criar categorias padronizadas para facilitar o registro.

Entre os motivos possíveis estão:

  • falha de matéria-prima;

  • problema de máquina;

  • erro operacional;

  • regulagem incorreta;

  • defeito de qualidade;

  • quebra;

  • desperdício;

  • processo inadequado.

As categorias devem ser adequadas à realidade de cada operação.

Evitar uma quantidade excessiva de motivos também é importante, pois isso pode dificultar o preenchimento. O ideal é criar classificações claras, simples e úteis para análise.

Falha de matéria-prima

Quando o material apresenta problema antes ou durante o processo, a perda pode não estar diretamente relacionada à operação.

Registrar esse motivo ajuda a separar problemas internos de questões relacionadas ao fornecimento ou à qualidade da matéria-prima.

Problemas de máquina

Desgaste, desalinhamento, falha de equipamento ou dificuldade de regulagem podem gerar peças inadequadas.

Se esse tipo de ocorrência aumenta em determinada máquina, pode ser necessário avaliar manutenção ou parâmetros de operação.

Erros operacionais

Algumas perdas podem estar ligadas à execução incorreta de determinada atividade.

Nesse caso, o objetivo do registro não deve ser apenas apontar uma falha individual, mas permitir a análise das causas.

Procedimentos pouco claros, falta de treinamento ou condições inadequadas também podem contribuir para o problema.

Por que registrar o motivo da perda

O histórico do apontamento de produção permite observar padrões.

Se determinada operação apresenta perdas frequentes pelo mesmo motivo, existe uma indicação de que aquela causa precisa ser investigada.

A gestão pode analisar, por exemplo:

  • quais produtos apresentam maior índice de perda;

  • em quais operações ocorrem mais refugos;

  • quais máquinas estão relacionadas a mais ocorrências;

  • quais motivos são mais frequentes;

  • quanto material está sendo desperdiçado.

A partir disso, ações de melhoria podem ser direcionadas para os pontos que realmente causam impacto na produção.


Como registrar os tempos de produção e as paradas?

Além das quantidades e perdas, o controle do tempo é uma parte fundamental do apontamento de produção. Saber quanto uma operação realmente demora ajuda a avaliar produtividade, capacidade e cumprimento do planejamento.

Registrar apenas o horário de início e término nem sempre é suficiente. Uma atividade pode permanecer aberta durante oito horas, mas passar parte desse período parada.

Por isso, é importante distinguir preparação, tempo produtivo e interrupções.

Tempo de preparação

Antes de iniciar efetivamente a fabricação, algumas operações precisam passar por preparação.

Esse período pode envolver:

  • setup;

  • regulagem de máquinas;

  • limpeza;

  • troca de ferramentas;

  • troca de moldes;

  • troca de materiais;

  • preparação do posto de trabalho.

O tempo de preparação deve ser acompanhado separadamente quando ele representa uma parte relevante da operação.

Isso evita que todo o período seja considerado como tempo efetivo de produção.

Setup

O setup é o período utilizado para preparar um recurso para uma nova operação.

Pode acontecer, por exemplo, quando uma máquina termina a fabricação de um item e precisa ser configurada para outro produto.

Quanto mais frequentes forem as trocas, maior pode ser o impacto do setup sobre a capacidade disponível.

Registrar esse tempo ajuda o PCP a realizar programações mais realistas.

Tempo produtivo

O tempo produtivo corresponde ao período em que a operação está efetivamente sendo executada.

É nele que equipamentos e mão de obra estão trabalhando diretamente para gerar o produto ou avançar uma etapa.

Essa informação pode ser relacionada à quantidade produzida para analisar o desempenho.

Se uma operação produziu 600 unidades em seis horas produtivas, é possível comparar esse resultado com outros períodos e com o padrão estabelecido.

Tempo de parada

Paradas são períodos em que a produção deveria estar acontecendo, mas foi interrompida por alguma situação.

No apontamento de produção, é importante registrar tanto a duração quanto o motivo da interrupção.

Entre os exemplos estão:

  • quebra de máquina;

  • falta de material;

  • manutenção;

  • espera;

  • falta de operador;

  • problema de qualidade;

  • troca de produto.

Quebra de máquina

Quando um equipamento apresenta falha, a produção pode ficar interrompida até que o problema seja solucionado.

Registrar o tempo perdido permite avaliar o impacto dessas falhas sobre a capacidade produtiva.

Um histórico frequente de paradas no mesmo equipamento também pode indicar necessidade de análise da manutenção.

Falta de material

A operação pode estar pronta para produzir, mas precisar aguardar matéria-prima ou componentes.

Esse tipo de parada deve ser diferenciado de problemas de máquina ou baixa produtividade.

Se o motivo aparece frequentemente, pode ser necessário revisar compras, estoque, abastecimento ou programação.

Espera durante a produção

Uma operação pode ficar aguardando liberação, transporte interno, definição técnica ou conclusão de uma etapa anterior.

Embora a máquina não esteja quebrada, existe tempo disponível que não está gerando produção.

Registrar essas ocorrências ajuda a encontrar gargalos no fluxo.

Problemas de qualidade

Quando um lote precisa ser analisado antes de continuar, a atividade também pode ficar parada.

Esse período deve ser registrado de forma que seja possível avaliar seu impacto sobre o prazo da ordem.

Tempo planejado x tempo realizado

A comparação entre tempo planejado e tempo realizado é um dos principais usos dos registros.

Imagine que determinada operação tenha sido planejada para durar quatro horas, mas tenha utilizado seis.

A diferença não significa necessariamente que a equipe trabalhou abaixo do esperado.

Pode ter ocorrido uma hora de setup adicional e uma hora de parada por falta de material.

Sem os registros detalhados, a gestão teria dificuldade para entender a diferença.

Com o apontamento de produção, torna-se possível separar cada componente do tempo.

Como o controle de tempos ajuda a identificar gargalos

Um gargalo é uma etapa que limita o fluxo de produção.

Quando determinada operação apresenta constantemente tempos maiores, filas ou atrasos, ela pode estar restringindo a capacidade do processo.

O histórico dos tempos ajuda a identificar esses pontos.

A empresa pode comparar:

  • duração média das operações;

  • tempo de setup;

  • frequência de paradas;

  • duração das interrupções;

  • quantidade produzida por período.

Avaliar a produtividade com dados mais precisos

A produtividade precisa considerar o tempo realmente utilizado.

Se uma máquina ficou disponível durante oito horas, mas passou duas horas parada por falta de material, avaliar o resultado apenas pelas oito horas pode gerar uma interpretação incorreta.

Separar os períodos permite compreender melhor como os recursos estão sendo utilizados.

Melhorar programações futuras

Os tempos registrados também ajudam o PCP a ajustar os parâmetros utilizados nas próximas ordens.

Se uma operação é constantemente planejada para três horas, mas o histórico mostra que normalmente são necessárias quatro, o planejamento pode estar baseado em um tempo pouco realista.

Com dados acumulados pelo apontamento de produção, a empresa consegue revisar padrões, considerar tempos médios mais próximos da realidade e melhorar a programação das máquinas, equipes e ordens de produção.

Como fazer o Apontamento de Produção na prática?

Para que o apontamento de produção gere informações confiáveis, é importante estabelecer um processo organizado desde a abertura da ordem até o encerramento das atividades. O objetivo é registrar aquilo que realmente aconteceu durante a fabricação, permitindo acompanhar quantidades, tempos, perdas e ocorrências.

Na prática, o processo começa com a criação da ordem de produção, passa pelo registro da execução e termina com a conferência dos resultados. Cada etapa deve seguir critérios padronizados para evitar informações incompletas ou divergentes.

Criar uma ordem de produção

A ordem de produção é o ponto de partida para organizar a execução das atividades no chão de fábrica. Ela informa o que deve ser produzido, em qual quantidade e dentro de quais condições.

Antes de iniciar o apontamento de produção, é importante que a ordem apresente informações suficientes para orientar os responsáveis pela operação.

Entre os principais dados estão:

  • produto que será fabricado;

  • quantidade planejada;

  • recursos necessários;

  • máquinas ou equipamentos;

  • materiais necessários;

  • etapas produtivas;

  • operações previstas;

  • prazo para início;

  • prazo para conclusão.

A quantidade deve estar claramente definida para que posteriormente seja possível comparar o que foi planejado com o que realmente foi produzido.

Os recursos também precisam ser considerados. Dependendo da operação, uma ordem pode exigir máquinas específicas, ferramentas, mão de obra, matérias-primas e componentes.

As etapas indicam a sequência necessária para transformar os materiais no produto esperado. Em processos mais complexos, cada etapa pode receber registros próprios de quantidade e tempo.

Iniciar a operação

Depois que a ordem é liberada, começa a execução no chão de fábrica.

Nesse momento, o apontamento de produção deve registrar informações básicas que identifiquem quando e onde aquela operação começou.

Entre os dados que podem ser registrados estão:

  • operador responsável;

  • máquina utilizada;

  • data de início;

  • horário inicial;

  • turno;

  • etapa executada.

Registrar o operador ajuda a identificar quem estava responsável pela atividade. Já a informação da máquina permite relacionar os resultados ao equipamento utilizado.

A data e o horário inicial são importantes para calcular o tempo necessário para realizar a operação.

Quando a produção possui etapas de preparação, também pode ser interessante diferenciar o início do setup do início efetivo da fabricação.

Por exemplo, uma máquina pode começar a ser preparada às 8h, mas iniciar a fabricação somente às 8h40. Se esses tempos forem separados, a gestão consegue identificar que foram utilizados 40 minutos na preparação.

Registrar o andamento da produção

Depois que a operação começa, o acompanhamento deve continuar durante sua execução.

O apontamento de produção pode ser atualizado ao longo do turno, por lote, por etapa ou sempre que determinada quantidade for concluída.

É importante acompanhar:

  • quantidade produzida;

  • quantidade aprovada;

  • perdas;

  • refugos;

  • retrabalho;

  • paradas;

  • duração das interrupções;

  • ocorrências durante a operação.

O registro de quantidade permite saber quanto já foi produzido em relação ao total esperado.

Imagine uma ordem de 2.000 unidades. No meio do turno, 900 peças já foram concluídas. Essa informação permite avaliar se a produção está avançando no ritmo esperado ou se existe risco de atraso.

Registrar perdas durante a execução

Sempre que ocorrer uma perda, ela deve ser identificada separadamente.

Não é recomendado deixar para registrar todas as perdas somente ao final da ordem, principalmente quando existem diferentes causas.

Se determinado lote apresentou 15 peças refugadas por falha de material e outras 8 por problema de regulagem, registrar essas informações separadamente melhora a qualidade da análise.

Assim, o apontamento de produção ajuda a mostrar não apenas quanto foi perdido, mas também por que isso aconteceu.

Registrar as paradas

As interrupções também precisam ser registradas durante a operação.

Podem ocorrer paradas relacionadas a:

  • falta de matéria-prima;

  • quebra de máquina;

  • manutenção;

  • ajuste;

  • troca de ferramenta;

  • espera por liberação;

  • problema de qualidade;

  • falta de operador.

O ideal é informar o horário ou a duração da parada e seu motivo.

Esses dados serão importantes posteriormente para explicar diferenças entre o tempo planejado e o realizado.

Registrar ocorrências importantes

Nem toda situação pode ser representada apenas por quantidades ou tempos.

Uma mudança no processo, uma substituição de material ou uma dificuldade específica também pode interferir no resultado da produção.

Por isso, ocorrências relevantes devem fazer parte do histórico da ordem.

O registro ajuda a compreender situações que poderiam parecer inexplicáveis em uma análise posterior.

Finalizar a operação

Quando a operação termina, é necessário registrar os resultados finais.

Entre as principais informações estão:

  • quantidade total produzida;

  • quantidade aprovada;

  • quantidade perdida;

  • quantidade em retrabalho;

  • horário de término;

  • tempo utilizado;

  • paradas registradas.

O horário final, combinado ao horário inicial e às interrupções, permite compreender melhor quanto tempo foi necessário para executar a atividade.

Caso a ordem não tenha sido totalmente concluída, o registro deve indicar a quantidade parcial realizada e permitir a continuidade posteriormente.

Conferir os dados antes do fechamento

Antes de encerrar definitivamente a ordem, é importante revisar os registros.

A conferência pode verificar se:

  • as quantidades estão corretas;

  • as perdas foram informadas;

  • os horários foram registrados;

  • as paradas possuem motivos;

  • os materiais utilizados estão corretos;

  • não existem registros duplicados;

  • todas as etapas foram devidamente apontadas.

Essa validação reduz inconsistências e melhora a confiabilidade do apontamento de produção.

Quando a ordem é fechada com informações corretas, seus dados podem ser utilizados pelo PCP e pela gestão para avaliar desempenho, custos, produtividade e futuras programações.


Como usar o Apontamento de Produção para comparar planejado x realizado?

Uma das principais aplicações do apontamento de produção é comparar o planejamento com aquilo que realmente ocorreu no chão de fábrica.

O planejamento define uma expectativa. A execução mostra o resultado efetivo.

Ao colocar essas duas informações lado a lado, a indústria consegue identificar diferenças, investigar suas causas e melhorar a precisão das próximas programações.

Essa análise pode envolver quantidade, tempo, materiais, perdas e capacidade produtiva.

Quantidade planejada x realizada

A quantidade planejada representa o volume previsto para determinada ordem ou período.

Já a quantidade realizada mostra quanto efetivamente foi produzido.

Se uma ordem previa 1.500 unidades e foram produzidas 1.350, existe uma diferença de 150 unidades.

O apontamento de produção ajuda a identificar essa diferença e fornece informações que podem explicar o resultado.

A produção abaixo do esperado pode estar relacionada a:

  • paradas de máquinas;

  • falta de materiais;

  • baixa velocidade de produção;

  • problemas de qualidade;

  • aumento do retrabalho;

  • tempo de preparação maior;

  • alterações na programação.

Também pode ocorrer produção acima do planejado. Nesse caso, é necessário verificar se o volume adicional era realmente necessário ou se houve fabricação excessiva.

Identificar os motivos dos desvios

A diferença entre planejado e realizado não deve ser analisada apenas como um número.

É importante entender sua origem.

Por exemplo, se uma ordem ficou 10% abaixo da quantidade planejada, o motivo pode ter sido uma parada de duas horas.

Em outro caso, a quantidade menor pode estar relacionada a um tempo padrão incorreto utilizado pelo PCP.

Quanto mais detalhado for o apontamento de produção, mais fácil será localizar a causa do desvio.

Tempo previsto x tempo realizado

Outro ponto importante é comparar quanto tempo determinada atividade deveria levar com o tempo realmente utilizado.

Imagine que uma operação tenha sido planejada para cinco horas, mas levou sete horas.

A diferença precisa ser investigada.

Pode ter ocorrido:

  • setup acima do previsto;

  • parada de máquina;

  • espera por material;

  • necessidade de regulagem;

  • retrabalho;

  • produtividade abaixo do padrão;

  • alteração no processo.

Quando os tempos são registrados separadamente, a análise se torna mais precisa.

Se das sete horas totais uma hora correspondeu a uma quebra e outra ao setup, fica evidente que o tempo efetivamente produtivo pode ter permanecido dentro do esperado.

Consumo previsto x consumo real

O planejamento também pode estabelecer quanto material deveria ser utilizado para determinada quantidade de produtos.

Depois da execução, o apontamento de produção permite comparar esse valor com o consumo efetivo.

Se estavam previstos 500 kg de matéria-prima, mas foram utilizados 550 kg, existe uma variação que merece análise.

O consumo adicional pode estar relacionado a:

  • perdas;

  • refugos;

  • excesso de material utilizado;

  • diferenças de rendimento;

  • erros de processo;

  • parâmetros incorretos;

  • retrabalho.

Essa comparação ajuda a identificar desperdícios e melhorar os padrões de consumo utilizados nas próximas ordens.

Perdas previstas x perdas reais

Alguns processos possuem um percentual esperado de perda.

Uma operação pode prever, por exemplo, até 2% de perda de material devido às características normais do processo.

Se o resultado real apresentar 5%, existe uma diferença relevante.

O apontamento de produção permite acompanhar essas variações e identificar quais processos apresentam perdas acima do esperado.

Também é possível analisar os motivos mais frequentes e verificar se determinados equipamentos, materiais ou etapas estão associados a índices maiores.

Utilizar o histórico no planejamento

Os registros não servem apenas para analisar uma ordem já concluída.

O histórico pode ser utilizado para melhorar futuras programações.

À medida que a empresa acumula dados, passa a conhecer melhor o comportamento real de seus processos.

Isso permite observar:

  • tempo médio de cada operação;

  • capacidade real das máquinas;

  • quantidade produzida por período;

  • frequência de paradas;

  • percentual médio de perdas;

  • consumo real de materiais;

  • incidência de retrabalho.

Essas informações ajudam o PCP a trabalhar com parâmetros mais próximos da realidade.

Ajustar tempos padrões

Se uma atividade está constantemente levando mais tempo do que o previsto, é importante verificar se o tempo padrão utilizado no planejamento continua adequado.

Imagine que uma operação esteja cadastrada com duração prevista de duas horas, mas o histórico dos últimos meses mostre uma média de duas horas e quarenta minutos.

Essa diferença pode provocar atrasos constantes na programação.

Os dados do apontamento de produção ajudam a revisar esse parâmetro.

Melhorar as previsões

Quanto mais precisos forem os dados históricos, mais realistas podem se tornar as previsões.

O PCP pode considerar tempos médios, capacidade real e níveis históricos de perda para programar novas ordens.

Isso reduz a dependência de estimativas que não representam as condições atuais da fábrica.

Corrigir a capacidade produtiva

A capacidade teórica de uma máquina nem sempre corresponde à capacidade realmente disponível.

Paradas, setups e outras situações podem reduzir o tempo efetivo de produção.

Com o apontamento de produção, a empresa consegue avaliar melhor quanto cada recurso realmente consegue produzir dentro de determinado período.

Essa informação permite evitar programações acima da capacidade real.

Programar novas ordens com dados mais realistas

O histórico de planejado x realizado cria uma base importante para novas decisões.

Se a empresa identifica padrões de produção, consegue melhorar prazos, organizar melhor a sequência das ordens e distribuir a carga entre os recursos disponíveis.

Dessa forma, o apontamento de produção deixa de ser apenas um registro do que já aconteceu e passa a contribuir diretamente para melhorar o planejamento das próximas operações.


Quais indicadores podem ser acompanhados com o Apontamento de Produção?

Os dados registrados no apontamento de produção podem ser utilizados para formar indicadores que ajudam a entender o desempenho da fábrica.

Esses indicadores transformam informações de quantidades, perdas, tempos e paradas em referências que podem ser acompanhadas ao longo do tempo.

O objetivo não é medir apenas quanto a empresa produz, mas entender como os recursos estão sendo utilizados e onde existem oportunidades de melhoria.

Quantidade produzida

Um dos indicadores mais básicos é o volume produzido em determinado período.

A empresa pode acompanhar a quantidade por:

  • hora;

  • turno;

  • dia;

  • semana;

  • mês;

  • máquina;

  • produto;

  • operação;

  • ordem.

Essa informação ajuda a verificar a evolução da produção e comparar diferentes períodos.

Por exemplo, se uma máquina produzia normalmente 1.000 unidades por turno e passou a produzir 800, é necessário verificar o que mudou.

O histórico do apontamento de produção pode ajudar a identificar se houve aumento de paradas, perdas ou tempo de processamento.

Produtividade

A produtividade relaciona a quantidade produzida aos recursos utilizados.

Uma análise simples pode comparar a produção com o tempo necessário para realizá-la.

Se uma operação produziu 600 peças em seis horas produtivas, a média foi de 100 peças por hora.

Esse resultado pode ser comparado com outros turnos, máquinas ou períodos.

Entretanto, é importante utilizar informações corretas sobre o tempo realmente produtivo. Se existiram paradas, elas devem ser consideradas separadamente.

Índice de perdas

O índice de perdas mostra quanto da produção ou dos materiais foi perdido durante o processo.

Uma forma simples de analisá-lo é comparar a quantidade perdida com a quantidade total processada.

Imagine que tenham sido processadas 1.000 unidades e 50 tenham sido refugadas. Nesse caso, as perdas representam uma parcela relevante do volume produzido.

O apontamento de produção também pode permitir separar os índices por motivo.

Assim, a empresa pode descobrir se as principais perdas estão relacionadas a:

  • matéria-prima;

  • regulagem;

  • equipamentos;

  • processo;

  • operação;

  • qualidade.

Índice de retrabalho

O retrabalho representa itens que precisam passar novamente por uma atividade ou receber correções.

Acompanhar esse indicador permite observar quanto da capacidade produtiva está sendo utilizada para refazer atividades.

Um crescimento do retrabalho pode indicar problemas de qualidade, padronização ou execução.

Também é possível analisar quais produtos e operações apresentam maior frequência.

Tempo médio de produção

O tempo médio indica quanto normalmente é necessário para executar determinada atividade.

Esse indicador pode ser calculado a partir de vários registros anteriores.

Se uma operação apresentou tempos de:

  • 60 minutos;

  • 65 minutos;

  • 58 minutos;

  • 62 minutos;

é possível utilizar o histórico para definir uma referência mais próxima da realidade.

O tempo médio ajuda principalmente no planejamento de novas ordens.

O apontamento de produção fornece os dados necessários para que esse padrão seja atualizado conforme a realidade do processo muda.

Tempo de parada

Acompanhar somente o tempo de produção pode esconder períodos significativos de indisponibilidade.

Por isso, é importante medir quanto tempo os equipamentos ou operações permanecem parados.

As paradas podem ser classificadas por motivo, como:

  • manutenção;

  • quebra;

  • falta de material;

  • setup;

  • qualidade;

  • espera;

  • falta de operador.

Além da duração total, também é interessante acompanhar a frequência.

Uma máquina pode apresentar poucas paradas longas ou muitas interrupções curtas. As duas situações podem causar impactos diferentes na produção.

Eficiência produtiva

A eficiência pode ser analisada comparando o resultado esperado com o realizado.

Por exemplo, se uma operação deveria produzir 1.000 unidades em determinado período e produziu 900, o resultado ficou abaixo do objetivo planejado.

Entretanto, esse indicador deve ser analisado juntamente com outras informações.

Uma produção abaixo da meta pode ter sido causada por uma parada inesperada, falta de material ou problema externo à execução da atividade.

Por isso, combinar indicadores com registros detalhados do apontamento de produção ajuda a evitar interpretações superficiais.

Cumprimento das ordens de produção

Outro indicador importante é acompanhar quantas ordens foram concluídas conforme o planejamento.

A empresa pode verificar:

  • ordens concluídas no prazo;

  • ordens atrasadas;

  • ordens concluídas parcialmente;

  • ordens que ultrapassaram o tempo previsto;

  • ordens que não atingiram a quantidade planejada.

Esse acompanhamento ajuda a avaliar a capacidade da fábrica de cumprir sua programação.

Se existe um número elevado de ordens atrasadas, pode ser necessário investigar causas como:

  • excesso de carga;

  • capacidade insuficiente;

  • paradas recorrentes;

  • falta de materiais;

  • tempos padrões incorretos;

  • alterações frequentes na programação.

Analisar os indicadores em conjunto

Nenhum indicador deve ser analisado de maneira completamente isolada.

Uma queda na produtividade pode estar relacionada ao aumento das perdas. Um atraso pode ter origem em uma parada de máquina. Um tempo médio maior pode ter sido provocado pelo aumento de setups.

Ao reunir quantidade, produtividade, perdas, retrabalho, tempos e cumprimento das ordens, o apontamento de produção cria uma visão mais ampla sobre o desempenho da operação.

Esse acompanhamento permite identificar padrões, investigar desvios e fornecer ao PCP informações mais consistentes para organizar as próximas programações.

Conclusão

O apontamento de produção é uma das principais formas de transformar o que acontece no chão de fábrica em informações úteis para o planejamento e para a gestão industrial. Ao registrar corretamente quantidades, perdas, tempos, paradas e ocorrências, a empresa consegue acompanhar a produção com mais precisão e entender onde estão os principais desvios do processo.

Mais do que simplesmente informar quanto foi produzido, o apontamento de produção permite comparar o que foi planejado com aquilo que realmente aconteceu. Essa comparação ajuda a identificar diferenças de quantidade, consumo de materiais, duração das operações e índices de perdas, criando uma base mais confiável para análises futuras.

Padronizar os registros

Para que os dados sejam realmente úteis, é importante estabelecer um padrão de registro.

Todos os responsáveis precisam saber quais informações devem ser preenchidas, quando o registro deve acontecer e como classificar situações como perdas, refugos, retrabalho e paradas.

Uma rotina padronizada reduz erros, evita informações duplicadas e facilita a comparação dos resultados ao longo do tempo.

Registrar quantidades, perdas e tempos corretamente

Os três principais pontos que precisam ser acompanhados são quantidade, perdas e tempo.

A quantidade mostra quanto foi produzido e quanto foi aprovado.

As perdas ajudam a identificar desperdícios, refugos e problemas que afetam o aproveitamento da produção.

Os tempos mostram quanto cada etapa realmente demora e quais interrupções estão reduzindo a capacidade produtiva.

Quando essas informações são registradas em conjunto, a análise se torna mais completa.

Comparar planejado e realizado

O apontamento de produção também permite acompanhar continuamente a diferença entre o planejamento e a execução.

Caso uma operação esteja constantemente demorando mais do que o previsto, o tempo padrão pode precisar de revisão. Se as perdas estiverem acima do esperado, é necessário investigar suas causas. Quando a quantidade produzida fica abaixo da programação, as paradas e os gargalos podem ajudar a explicar o resultado.

Essa análise evita que os mesmos problemas continuem sendo repetidos nas próximas ordens.

Utilizar o histórico para melhorar o PCP

Os registros acumulados formam um histórico importante para o PCP.

Com base nele, é possível analisar:

  • capacidade real dos equipamentos;

  • duração média das operações;

  • produtividade;

  • frequência das paradas;

  • índices de perdas;

  • quantidade de retrabalho;

  • cumprimento das ordens de produção.

Essas informações tornam as futuras programações mais próximas da realidade da fábrica.

Transformar dados em melhorias para a produção

O objetivo do apontamento de produção não deve ser apenas armazenar informações. Os registros precisam ser analisados e utilizados para melhorar continuamente a operação.

Ao identificar gargalos, desperdícios, atrasos, perdas recorrentes e diferenças entre planejado e realizado, a indústria consegue direcionar ações para os pontos que realmente precisam de atenção.

Com dados confiáveis, o PCP pode planejar melhor, a gestão consegue acompanhar os resultados com mais clareza e o chão de fábrica passa a trabalhar com processos mais organizados e previsíveis.

Dessa forma, o apontamento de produção contribui para aumentar o controle da operação, melhorar o planejamento e apoiar decisões mais precisas sobre capacidade, recursos, produtividade e desempenho industrial.

 

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Perguntas frequentes

É o registro das informações geradas durante a execução da produção, como quantidades, tempos, perdas, paradas e ocorrências.

Quantidade produzida, quantidade aprovada, perdas, refugos, retrabalho, tempos, paradas, materiais utilizados e ocorrências.

Ele fornece dados reais sobre a produção, permitindo melhorar prazos, capacidade, programação das ordens e planejamento dos recursos.

Para identificar desperdícios, encontrar causas recorrentes e desenvolver ações para melhorar o processo produtivo.

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